O paradoxo de Fermi explicado

Durante um almoço, em uma terça feira chuvosa do final do ano de 1950, Enrico Fermi e seus amigos estava tentando passar o tempo dentro de um restaurante para não terem que voltar para o trabalho molhados. Depois que muitos assuntos correram pela mesa, já que a chuva não parecia que iria parar tão cedo, eles começara a discutir sobre a possibilidade da existência de vida extraterrestre. Não que este seja um assunto especialmente comum entre pessoas que estejam esperando a chuva passar, menos ainda em 1950 quando claramente o gol do Ghiggia era algo bem mais na moda. Vai ver foi só a consequência de alguma coisa que eles tomaram durante aquele almoço ou o assunto do gol já tinha enchido o saco. Enrico, já provavelmente sob o efeito daquele sono que a digestão de alimentos pesados oferece, querendo acabar logo a conversa para ir para o seu escritório tirar uma soneca, nem que fosse molhado, perguntou irritado para os seus amigos que debatiam fervorosamente a questão com cálculos e lógicas estranhíssimas: "se os ETs existem, onde raios eles estão?". Pois, pasme, uma pergunta simples como essa causou o maior alvoroço entre seus amigos. Dizem que alguns deixaram de se falar por vários anos por causa disso. Mas Enrico não estava nem ai, ele só queria ir tirar a soneca dele.

Fato é que, depois desse almoço, muita gente foi dormir molhado e alguns foram fazer conta. A matemática deles até poderia ser questionada dado o nível de teor alcoólico no sangue de quem estava calculando, mas depois ela foi checada diversas vezes por gente sóbria e os números permaneceram consistentes. Vou poupa-lo de ter que entender os detalhes, mas o resumo da questão é que o universo é muito muito grande e muito muito velho, mas tipo muito muito grande e muito muito velho mesmo. Estatisticamente falando, em um universo tão grande e tão velho desse jeito, a chance da vida só ter aparecido aqui na Terra é ridiculamente pequena, tipo muito muito ridiculamente pequena mesmo. Mais ainda, o universo é tão ridiculamente grande e velho que a chance de a vida ter aparecido "só" um milhão de vezes ainda é ridiculamente pequena, tipo muito muito ridiculamente pequena mesmo.

Então ai está o paradoxo, ou a matemática não está mais funcionando e os ETs realmente não existem, ou a matemática está certa como quase sempre e os ETs estão por ai. Mas cadê eles?

Existem várias teorias que tentam explicar esse paradoxo. A melhor delas é que o fato do universo ser muito muito grande explica tudo. Se houvessem um milhão de civilizações inteligentes espalhadas homogeneamente por ai, a distância entre elas seria tão ridiculamente grande que dificilmente uma encontraria a outra. Isso explicaria tudo, não fosse o fato de que a definição de civilização inteligente ser "se você consegue construir um radio telescópio, você é inteligente", o que faz sentido pois eu não consigo construir um radio telescópio e muitas outras pessoas que conheço também não. Os radiotelescópios são ótimos pois eles captam as ondas de rádio que viajam na velocidade da luz e essa velocidade é indecentemente grande. Ou seja, mesmo o universo sendo estupidamente grande, a velocidade da luz compensa uma boa parte disso. Logo, a pergunta do Fermi ainda é válida, onde é que estão os ETs? Deveríamos ao menos estar escutando eles.

Outro ponto que apareceu durante a discussão no restaurante foi que seria realmente simples dominar a galáxia. Afinal, foi assim em Star Wars, em Star Trek, em Star Gate e tantos outros filmes. Mas não foi esse o argumento usado, até porque esses filmes não tinham sido lançados em 1950. O argumento foi que uma civilização inteligente que tivesse desenvolvesse a capacidade de viajar ao espaço, poderia colonizar outro planeja e se cada planeta colonizado resolvesse colonizado outros dois depois de mil anos, em poucas centenas de milhares de anos eles estariam por toda parte. E uma centena de milhares de anos não é nada perto do quão gigantescamente velho é o universo, ou seja, eles já deveriam estar por ai.

Há quem acredite que a solução para o paradoxo é que eles já estariam aqui o que por um lado explicaria muita coisa dado o nível de esquisitices de diversas pessoas que conheço. Mas estas pessoas não sabem (ou fingem extremamente bem não saber) como construir um radiotelescópio, ou seja, não se enquadram na definição de inteligência. Eu não tenho dúvida nenhuma que se houvesse um ET que tivesse a capacidade de construir uma nave espacial e que consiga atravessar as incrivelmente ridículas distâncias do universo sem matar os seus integrantes, ele não fariam as coisas estúpidas que as pessoas que eu conheço estão fazendo como tomar remédio de homeopatia, arrumar os moveis da sua casa usando Feng Shui ou ler o seu horóscopo diariamente antes de sair de casa. Não pode ser isso.

A única explicação plausível para tudo isso é que eles existem sim, mas que escolherem não vir até aqui. Eles podem estar lá fora, recebendo os os nossos sinais de TV nos seus incrivelmente inteligentes radiotelescópios e estão lá, em algum planetinha sem graça, rolando de rir da gente assistindo um programa que vende gado, os trapalhões, um reality show ou um telejornal qualquer, ou The Big Bang Theory. Isso se eles tiverem senso de humor, o que é uma presunção também razoável pois caso contrário eles já teriam vindo até aqui por pena ou para nos fazer parar de produzir programas de televisão. Eles tem que ter um senso de humor do tipo sarcástico e com uma bela pitada sadismo para ver o que está acontecendo aqui e inteligentemente optar por ficarem quietos lá se mijando de rir. Assumindo que que eles fazem xixi, é claro.

Pessoalmente, acredito que eles existem, mas provavelmente o horóscopo deles ainda não esta favorável para relacionamentos interestelares.