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- Boa tarde senhor. Em que posso ajuda-lo?
CC Tabo Garcia

O bandido tira uma metralhadora do casaco, aponta para a atendente e diz:

- Passa a grana toda! E rápido! – sussurra.

- O senhor pode colocar o seu dedo polegar direito no local indicado e digitar a sua senha por gentileza?

- Isso é um assalto – já falando um pouco mais alto, mas ainda naquele tom de que não quer ser ouvido - passa a grana toda logo pra cá senão vou matar todo mundo.

A atendente responde calmamente.

- Senhor, não é politica deste banco efetuar saques sem a identificação do cliente.

O ladrão indignado aumenta ainda mais a ameaça.

- Se você não me entregar todo o dinheiro agora mesmo vou estourar seus miolos. PASSA A GRANA!

- Senhor, sem a identificação biométrica e a senha de identificação infelizmente não posso liberar o saque. Posso ajuda-lo em algo mais?

- ME DÁ O DINHEIRO!

- Senhor, como já expliquei, infelizmente não será possível. Próximo cliente por favor – diz a atendente já olhando por cima dos ombros do elemento e fazendo aquele gesto clássico com a mão para chamar alguém.

A velhinha que está logo atrás do criminoso na fila começa a caminhar lentamente em direção ao caixa, mas o bandido não desistiu ainda. Ele vira para trás apontando a metralhadora ameaçadoramente para todo mundo.

- Isso é um assalto! Todo mundo deitado no chão agora mesmo senão levam chumbo.

Ouve-se uma voz que vem lá do meio da fila.

 – Ai não, justo hoje que estou atrasado?

A velhinha olha bem para ele e diz.

- Meu filho, tá todo mundo aqui com pressa e você ai fazendo um papelão destes. Sua mãe não te deu modos não? Vai para a sua casa pensar no que você fez e deixa a gente fazer as nossas coisas.

Um motoboy que estava com um envelope quase maior que ele de contas para pagar grita lá do fim da fila.

- Pô cara. Se liga. Tá todo mundo aqui com pressa.

O assaltante não perde a pose. Dá uma rajada de tiros para o alto e grita.

- ISSO É UM ASSALTO, PORRA! Me dá a merda do dinheiro agora mesmo!

A velhinha, agora visivelmente irritada diz:

- Que baixaria é essa? Que coisa feia ficar falando palavrão assim. Isso aqui é um lugar de família, viu? Olha lá, tem crianças no local seu boca suja.

O meliante a esta altura já não sabia mais o que fazer e resolver blefar.

- Eu tenho uma bomba. Ou vocês me dão a porcaria do dinheiro agora mesmo ou vai todo mundo para o inferno comigo.

Na hora ele ia falar um palavrão, mas olhou para a velhinha ainda brava na frente dele e resolveu soltar só um “porcaria”.

Ouve-se uma outra voz lá no fundo dizendo:

- Pelo amor de Deus, ehm. Cada maluco que tem no mundo.

A atendente do caixa se levanta e diz:

- Senhor, vou ter que chamar o gerente ou o senhor vai deixar o próximo cliente ser atendido?

- Eu estou falando sério – grita o elemento – VOU EXPLODIR TODO MUNDO!

O motoboy resolveu que era melhor trocar de fila porque aquela “tava zuada”. Até porque todo mundo sabe que velhinhas costumam demorar muito para ser atendidas em caixas de banco.

O gerente do banco, percebendo uma oportunidade comercial, levanta da sua mesa e chega próximo a confusão.

- Meu senhor, queira me acompanhar por favor.

- Eu não vou acompanhar ninguém a lugar nenhum. Quero o dinheiro todo agora mesmo!

- Senhor – diz o gerente gentilmente – é melhor o senhor me acompanhar. A gente conversa com calma sentados lá na minha mesa. Quem sabe tem algo que eu possa fazer para te ajudar? Um financiamento ou um empréstimo talvez? O senhor aceita um café?

O criminoso já bastante desnorteado começa a considerar a oferta.

- Vamos lá - diz o gerente naquele tom de quem chama um amigo para tomar um chopp – a gente vai conseguir alguma coisa boa para o senhor. Tenho certeza. O amigo está precisando de um dinheiro, eu entendo. Nossas taxas de juros são ótimas e o senhor vai sair daqui satisfeito, tenho certeza. 

Visivelmente decepcionado e envergonhado, ele abaixa a arma e segue o gerente até a mesa dele. O pessoal da fila comemora discretamente que a fila vai voltar a andar.  A velilha anda até a atendente, mas sem pressa nenhuma.

- Cada coisa que se vê nessa vida não é minha filha.

- É mesmo senhora. Desculpe a confusão, viu. Ele deve ser o interior.

- Deve mesmo.  Viu, eu só queria fazer uma retirada pequena para fazer a feira.

- Pois não, coloque o dedo no local indicado e digite a sua senha, por favor. E não se esqueça de desligar seu campo de força pessoal temporariamente, senão o sistema não reconhece a sua digital.

- Claro, claro. Mas fica de olho naquele maluco. Se ele aparecer por aqui você me avisa.