Impressoras possuídas pelo demônio

Acho que todos nos já tivemos um dia de fúria contra um gadget. Aquele dia que você tem vontade de jogar o celular no chão e pular em cima dele com os dois pés juntos porque a ligação cai a cada 30 segundos de conversa. Ou que aquele outro dia que dá um desejo incontrolável de golpear o seu monitor com um taco de baseball. Ou ainda aquele outro dia em que arrancar CD que ficou preso dentro do drive com os próprios dentes, no melhor estilo “homens das cavernas” fazendo barulhos e grunidos, parece ser a melhor opção na vida. Quem nunca pensou o quão relaxante deve ser jogar a impressora pela janela do 18º andar que atire a primeira pedra.

Eu tenho a impressão de que eles (os gadgets) sabem como funcionar e não funcionam simplesmente para irritar a gente, por pura diversão, só para ver a gente xingando e gritando com eles. Não dá para entender bem o motivo, mas até agora, a melhor explicação que encontrei foi que talvez eles fiquem entediados de fazer a mesma coisa o tempo todo e ai, só para quebrar um pouco o tédio, resolvem nos irritar para ver o que acontece.

Outra teoria é a chamada “síndrome do pequeno poder”. Ou seja, eles falham só para mostrar quem é que manda de verdade. Por exemplo, um mouse normalmente não manda nada: movemos ele para lá e para cá o tempo todo, clicamos nele, apertamos uns botões e essa é a sua vidinha. Já quando ele não está funcionando direito é ele quem está no controle da situação. Aquele maldito ponteiro ganha vida própria e vai para onde ele (o mouse e não você) quer. Você tenta desesperadoramente levar o ponteiro para o ícone do Firefox mas ele insiste em ficar parado em cima do ícone do Internet Explorer. Você dá um clique só, mas ele acha que é pouco e resolve dar dois. Ou seja, ele assume o controle da situação e isso obviamente nos irrita profundamente. Tentamos inutilmente retomar o controle chacoalhando o mouse freneticamente de um lado para o outro e até batendo ele repetidamente com força contra o mousepad, mas é tarde de mais, o controle se foi. Depois de alguns minutos de fúria é hora de encarar a realidade e reconhecer que o mouse é o dono da situação e que você é um mero espectador.
Agora, tem alguns gadgets que já saem de fábrica possuídos pelo demônio. Coisa do mal mesmo feito sob encomenda do próprio Belzebu para que o mundo seja um lugar pior. E a obra prima do Satanás é, sem sombra de dúvida, a impressora. Nunca vi nenhum ser humano que tenha uma relação saudável com uma delas. Nenhuma impressora gosta de seres humanos e vice-versa. Eu ODEIO a minha impressora e tenho certeza de que o sentimento é recíproco. Ela fica o dia todo em cima da mesa pensando, articulando, maquinando e conspirando para arruma maneiras cada vez mais criativas de me irritar a ponto de eu precisar de tratamento psiquiátrico. Chego a ter medo de impressoras e se for possível eu evito ficar muito tempo em locais que tenha uma. Acho que um dia minha impressora vai imprimir, do nada, um desenho de uma mão com um dedo médio esticado só para arrumar briga. E a briga está comprada porque se eu pudesse sair no braço com ela sairia. Só não faço isso porque acho que vou mais apanhar do que bater e vai ficar difícil explicar o olho roxo no dia seguinte. Além de ter que explicar a situação depois para o meu psiquiatra.

O que eu acho que deveríamos fazer é começar a projetar impressoras de borracha. Assim, poderíamos socá-las, chutá-las, martelá-las sem dó nem piedade. E tudo ficaria bem pois não existiria chance de você cortar a mão ou sair um pedaço de plástico duro voando na direção da sua jugular durante a briga. Sim, elas te matariam se pudessem. Imagine o quão relaxante e desestressante seria poder socar sem preocupações a sua impressora que resolveu que não vai imprimir nada hoje. Ou então dar pauladas nela toda vez que ela puxasse mais de uma folha junta. Seria uma valiosa contribuição para a sanidade da humanidade. Ah que prazer inigualável seria.

Com certeza o gadget perfeito seria aquele que falhasse de vez em quando, mas que toda vez que você o ameaçasse dissesse algo como “ohhhh...” ou então “funcione agora ou te jogo pela janela” ele voltasse a funcionar imediatamente tremendo um pouco de medo. Isso sim seria um sucesso de vendas. Já pesou que delícia a sensação de poder, de vitória, de estar no comando. Eu compraria uma impressora de borracha e que tivesse medo de mim, custe o que custasse.