Testes Práticos para Conhecer os Limites da Bobagem Humana

Minha suspeita é que se um dia conseguirmos converter bobagem em energia elétrica, o sol pode apagar, o petróleo e o carvão acabar, todo o urânio da Terra se esgotar e, ainda assim, teremos energia o suficiente para todas as necessidades da humanidade para sempre. Seria a solução definitiva do problema energético. Energia ilimitada e irrestrita eternamente.

Por bobagem eu quero dizer besteiras, asneiras, tolices, coisas sem sentido nenhum, piadas sem graça, blogs de contos sem noção, filmes de besteirol, este tipo de coisa. Suspeito até que seria um grande desafio para a engenharia construir equipamentos que conseguisse resistir a sobrecarga elétrica gerada em certos momentos. Posso facilmente imaginar transformadores explodindo nas ruas toda vez que alguém assistisse a um filme do Borat ou Monty Python ou então lesse um dos livros do Douglas Adams.

Mas vamos sair do mundo das especulações e vamos aos fatos. Para saber se essa fonte de energia é viável, precisamos saber quanta bobagem está disponível e também a taxa de conversão bobagem/energia. Precisamos de evidencias para apoiar esta hipótese e nada melhor do que algumas experiências.

Por exemplo, um rato de laboratório fica girando naquela rodinha por quê? Ele ganha alguma coisa com isso? A minha proposta de explicação seria que é pura bobagem. Imagine o dialogo entre dois ratinhos no laboratório:

- Olha lá cara! Uma daquelas rodas esquisitas.

- Aposto que você não consegue ficar girando nela por meia hora.

- Claro que eu consigo!

- Quer apostar?

- O que você quiser.

- Se você conseguir eu raspo o pelo e saio correndo na gaiola das ratinhas.

- Fechado!

Podemos escalar este teste para os humanos. Criamos um lugar onde existam esteiras de corrida, bicicletas que não andam, outros aparelhos de puxar e empurrar coisas esquisitas e falar para as pessoas ficarem lá durante horas fazendo movimentos repetitivos. Como incentivo, vamos dizer as pessoas que elas vão conseguir um parceiro sexual (para os que não têm) ou (para os que já têm) que eles conseguirão trocar o já existente por um mais atraente. E, assim como no caso dos ratinhos, é tudo pura bobagem.

Podemos também usar a internet nos testes. Por exemplo, se criássemos um site todo branco, com um botão no meio dizendo “clique aqui para não acontecer nada”, podemos medir o total de pessoas que viram a página, quantas clicaram e quantas vezes. Ou se quisermos disfarçar o teste um pouco mais, podemos trocar o botão para algo como "estou com sorte" e direcionar as pessoas para sites aleatoriamente na internet. Podemos também criar um site onde as pessoas têm 140 caracteres para escrever qualquer coisa que quiserem. A intenção seria mostrar que mesmo com quase nenhum espaço para escrever, ainda assim pode ser gerada muita bobagem. O mesmo pode ser feito com sites que permitem o envio de fotos, já que 1 imagem vale por 1.000  palavras e em 140 caracteres cabe só umas 30 palavras, o teste seria umas 33x maior.  E, como último estágio, podemos fazer um site de envio de vídeos. Se cada vídeo tiver em média uns 5 minutos, com 24 frames por segundo é o equivalente a 7.200 fotos. Uma ótima ampliação da geração de bobagem, mesmo sem considerar o áudio que tem no vídeo, que é outra boa fonte de bobagem. Este site poderia ser o maior repositório de bobagens acumulada que a humanidade já viu.

E tem mais um fator importante, com um pouco de álcool conseguimos aumentar a quantidade de bobagem gerada em dezena de vezes. Não precisamos nem de experiências cientificas para provar isso.
Se os números forem favoráveis, restaria então a dificuldade de converter bobagem em energia. Aqui estamos no ramo das especulações ainda pois não temos uma boa teoria física de como fazer esta transformação. Mas já tem algumas idéias promissoras:

- Apostar bobagens com pessoas para elas ficarem girando uma roda.

- Passar uma lei no congresso que imponha cada vez que alguém fizer uma bobagem tem que girar uma manivela ao invés de ir preso.

- Usar pequenas hélices implantadas na frente da boa das pessoas que mais falam bobagens no mundo (como por exemplo, políticos, narradores esportivos, blogueiros d contos inúteis e jogadores de futebol durante entrevistas) para colher o vento gerado.

- Parar as escadas rolantes do mundo todo e gritar "quem chegar por último é mulher do padre" e gerar energia da correria que vai acontecer.

Como disse, ainda temos que evoluir muito até finalmente conseguirmos uma forma viável de conversão bobagem/energia. Mas certamente, no futuro, alguém vai descobrir uma forma eficiente de fazer esta transformação e ganhar um premio Nobel por isso. E neste dia passará a ser política e ecologicamente correto ficar falando bobagens. Vai ser até chique falar bobagem. Eu, por via das dúvidas, já estou fazendo a minha parte. Não quero que alguém leia este blog daqui a 50 anos e diga que eu não contribui em nada para a geração de energia.